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O ESTRANHO SEXO DESSE PEIXE NUMA FILMAGEM INÉDITA

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O fundo do oceano esconde vários animais estranhos. Como precisam viver em um ambiente extremo, eles tiveram que se adaptar de maneiras que nos parecem bastante esquisitas. É o caso do tamboril, este peixe com a cabeça grande, olhos assustadores, dentes parecidos com presas e uma “vara de pescar” reluzente que se estende da sua barbatana dorsal. Com tanta esquisitice, é difícil imaginar estes animais se reproduzindo, mas isso obviamente acontece. Os cientistas nunca haviam realmente visto essas criaturas acasalando na natureza, mas, felizmente (ou não), esse não é mais o caso.

O vídeo inédito com o acasalamento entre dois tamboris foi feito pelo casal Kirsten e Joachim Jakobsen, que exploravam uma área perto dos Açores, em Portugal, em nome da Fundação Rebikoff-Niggeler.

No vídeo, uma fêmea pode ser vista com seus filamentos bioluminescentes e barbatanas estendidos, enquanto um pequeno macho está preso ao seu ventre. O par se uniu durante o acasalamento no que os biólogos chamam de parasitismo sexual: o macho recebe proteção e preciosos nutrientes do sistema circulatório da fêmea e, em contrapartida, a fêmea tem um suprimento constante de espermatozoides para quando ela está pronta para desovar.

Os Jakobsen estavam investigando uma parede íngreme do fundo do mar no lado sul da ilha de São Jorge quando a fêmea de tamboril e seu parceiro parasitário apareceram. Eles observaram os peixes a uma profundidade de 800 metros. O casal humano acompanhou o casal de peixes por meia hora, filmando seus movimentos através da grande janela de pouco mais de um metro de largura do submersível.

Eles enviaram o vídeo para Ted Pietsch, um pesquisador de peixes de águas profundas da Universidade de Washington, nos EUA, que confirmou a espécie dos tamboris (Caulophryne jordani) e a natureza da cena. “Eu tenho estudado esses animais durante a maior parte da minha vida e nunca vi nada parecido”, disse ele a uma reportagem da Science Magazine.

Tamboris raramente são vistos pelos especialistas em vida. Os cientistas só sabiam que este era o método de reprodução deles por causa de espécimes recuperados de fêmeas mortas com machos ainda presos a elas. A maior parte do que sabemos sobre o tamboril do fundo do mar vem de animais mortos puxados por redes. Os cientistas identificaram mais de 160 espécies, mas apenas um punhado de vídeos existe – e este é o primeiro a mostrar um par sexualmente unido. “Então você pode ver como essa descoberta é rara e importante”, diz Pietsch. “Foi realmente um choque para mim.”

Show de luzes

Outro aspecto fascinante do vídeo são os filamentos e nadadeiras da fêmea, que se estendem para fora em um perímetro ao redor do par. Essas estruturas brilhantes sentem as águas ao redor do casal para identificar predadores e presas. Quando uma possível refeição é detectada, a fêmea, que é sedentária, dispara em direção ao alvo. “Qualquer presa que toque em uma delas fará com que o peixe gire e devore aquele animal em particular”, diz Pietsch. “Eles não podem deixar passar uma refeição porque há muito pouco para comer lá”.

O show de luzes também é espetacular. Como todo tamboril do fundo do mar, a fêmea tem um apêndice bioluminescente, semelhante a uma isca em frente à cabeça, utilizada para atrair as presas. Mas no vídeo, os filamentos e os raios das barbatanas também parecem emitir luz em suas pontas e em intervalos ao longo de seu comprimento – algo que nunca foi visto antes. Pietsch suspeita que a luz é bioluminescente – ou seja, é produzida dentro do próprio animal -, mas ele observa que é difícil saber se as estruturas estão refletindo a luz do submersível ou se estão realmente brilhando.

O pequeno macho também é uma parte fundamental da descoberta. Como muitas outras espécies de tamboril, a C. jordani forma um par permanente – uma vez que um macho encontra um parceiro, ele morde e entra dela, eventualmente se fundindo com seu tecido e ganhando sustento através de sua corrente sanguínea.

Bruce Robison, ecologista de águas profundas do Monterey Bay Aquarium Research Institute, também nos EUA, diz na matéria da Science Magazine ter ficado impressionado com a flexibilidade do macho, apesar de sua sólida ligação com a fêmea, aparentemente se movendo em qualquer direção que desejasse. “Não havia como eu imaginar isso através de um espécime em um museu”.

Os tamboris são um grupo incrivelmente diverso, com uma grande variedade de estruturas e espécies, mas são difíceis de estudar porque habitam centenas a milhares de metros abaixo da superfície do oceano. Mas os especialistas dizem que, com os recentes avanços na tecnologia de exploração em águas profundas, vídeos como este são muito mais possíveis, nos dando uma ideia melhor sobre como essas criaturas misteriosas vivem.

FONTES: GizmodoScience Magazine

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